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Hoje, quando fui ao cinema sozinha,
reparei nas pessoas que estavam na mesma sessão que eu e comecei a pensar a
respeito daqueles que também estavam assistindo ao filme sozinhos. Enquanto eu
tinha ido sozinha por livre e espontânea vontade – até mesmo para concluir uma
das 18 coisas que quero fazer antes dos 18 -, será que aquelas pessoas sentadas
com um saco de pipoca e um copo de refrigerante ao lado tinham tido a chance de
escolherem se queriam ir acompanhadas ou não?
Há algum tempo, eu sempre achava
que as pessoas só eram felizes com alguém do seu lado. Mas, com o tempo e com
muita decepção, descobri que a gente pode, sim, ser feliz sozinho. Não tem essa
de ter alguém para te completar, mas sim para te fazer ainda mais feliz. Aliás,
de nada adianta assistir a um filme bom ao lado de uma pessoa que não valoriza
aquele momento. O mesmo vale para o contrário. Eu, por exemplo, já assisti a filmes horríveis, mas que não me
fizeram sentir arrependimento por ter gastado meu tempo com eles, pois eu
estava com alguém ao meu lado que fazia aquele momento valer a pena.
Então não tem essa de desistir dos
seus momentos “all by myself” porque alguém (ou até você mesmo) vai julgá-lo
solitário. Na verdade, são nesses momentos “comigo mesma” que eu encontro
inspiração para escrever, tempo para ler e pensamentos para ter. Não há nada
melhor do que tirar um tempo para nós mesmos para tentar, de uma vez por todas,
notar o mundo à nossa volta. Às vezes, ficamos tão trancados no nosso próprio
casulo que não percebemos quanta coisa pode ser notada ao nosso redor.
O filme acabou, os créditos subiram
e eu queria mais pipoca. Procurei no rosto de uma velhinha que estava na minha
fileira algum sinal de tristeza. Mas não encontrei. Muito pelo contrário:
encontrei uma felicidade que emanou de seu rosto para o meu. Foi tão bom ter
ido ao cinema sozinha que já não vejo a hora de assistir ao próximo. Óbvio que
ainda irei com minhas amigas e família, mas descobri que esse foi o momento em
que mais descobri sobre mim mesma. Pois não senti vergonha de rir, chorar e
muito menos de me emocionar com o que via na tela de projeção. Se um dia me
acharem estranha por gostar de ir ao cinema sem companhia, só pensarei o quanto
sou feliz, sozinha ou não.
Vanessa Esteves
[Escrito às 01:26 do dia 11 de fevereiro
de 2015.]
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