02/09/2015

O orgulho que insistimos em nutrir

(WeHeartIt)

Eu não quero dar o braço a torcer, mas sinto sua falta. Percebi isso enquanto escutava minha música no ônibus, a caminho da aula, e olhei para o lado e vi alguém no outro ônibus que me lembrava de você. Tive que olhar várias vezes para ter a certeza de que não era quem eu imaginava.
É meio estranho imaginarmos que tudo muda de forma tão rápida. Ao mesmo tempo em que vejo suas curtidas nas minhas fotos, tenho receio de aparecer digitando na nossa janela de conversa. Tantas horas gastas num passado não tão distante as quais me fazem falta agora. Quero contar todas as novidades, ter conversas profundas como antes e ficar até de madrugada sem me importar com o sono. Já gastei horas com nossas palavras e gastaria ainda mais se o fosse possível.
Qual o nosso problema em sempre esperar que a primeira palavra seja do outro? Qual o nosso medo em iniciar uma conversa sem nos importarmos com estarmos dando outra chance para um recomeço? Talvez estejamos tão preocupados com o orgulho, que deixamos pequenos prazeres da vida, como conversar com alguém que nos entende, deixar escapar de nossas mãos.
Admito que me vejo várias vezes na semana abrindo nossa conversa só para ver se você está disponível. Os dedos parecem querer se mover, mas a minha mente insiste em fechar a conversa e continuar vivendo de forma automática.
Espero pelo dia em que não pensarei mais de uma vez antes de me arriscar. Não quero perder completamente o medo, mas ter um certo impulso que me faça agir mais com o coração e menos de forma racional.
Enquanto isso não acontece, procuro suas conversas em meio à minha rotina e caminho com um sorriso no rosto, pois sei que nossos momentos valeram a pena. Não quero me apegar ao fato de que nós paramos de nos falar, apenas me ater em quão boa foi nossa vivência juntos. Sabe, foi bom enquanto durou. E se foi bom, não me importo em abrir agora mesmo nossa conversa, deixar o orgulho para trás e fazer vencer a minha vontade. Pode ser que eu me arrependa depois, mas nunca vou saber se não arriscar.

Vanessa Esteves

[Escrito às 21:55 do dia 02 de setembro de 2015.]

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