28/09/2014

Páginas da minha vida


Enquanto deito em meu lençol gelado nessa madrugada de domingo, tento procurar no escuro a carta que há muito tempo não foi mais aberta. Quando a recebi, o perfume do remetente borrifado nela inundava meu quarto com as melhores memórias. Porém, a deixei intacta em cima de alguns livros no meu armário e me sentia mais pesada a cada vez que a olhava. Não era preciso abri-la, pois eu já sabia de cor e salteado o que havia escrito nela. Como se não bastasse, todas aquelas palavras agora não fazem mais sentido, não têm mais significado já que a pessoa que as escreveu decidiu seguir um caminho diferente daquele dito.
Foi melhor assim, imagino, enquanto me dobro cada vez mais na cama e me pareço com um caracol. Jeito de dormir que me proporciona as melhores noites de sono, não importando se são as depois de um dia cansativo ou daquele mais feliz impossível. Mas sabe, foi a primeira carta recebida com remetente e destinatário, selo e CEP corretos na parte de trás. E eu ainda acredito que arruinei tudo.
Quantas vezes mais serão necessárias para eu perceber que deixo tantas oportunidades escaparem de minhas mãos? Mais frustrações, decepções, arrependimentos, choros durante a noite, olhos inchados em algumas manhãs e eu me sentindo cada vez mais pequena nesse mundo que só me mostra que os errados são os que recebem mais recompensas. Ao mesmo tempo, tento seguir em frente de cabeça erguida, tentando deixar para trás os cheiros que senti, as bocas que beijei e os sorrisos que proporcionei. Sei que são poucos os que se importam de verdade comigo, sei que já decepcionei muitas pessoas - mas também fui decepcionada -, mas sei que a felicidade está por perto.
Sabendo disso, continuo adquirindo todas as experiências necessárias, errando o máximo que posso e aprendendo com tudo. Porque me ensinaram uma vez que só se vive de verdade aquele que aprende com seus erros. Então só digo uma coisa: espero errar até o penúltimo minuto da minha vida - pois no último estarei aprendendo que minha história valeu a pena. E a respeito da carta, a deixo para trás, guardada na minha caixa de recados os quais recebi algum dia. Será apenas mais um passo em direção à imensidão que ainda presenciarei. Sei que com muitas páginas viradas conseguirei escrever o livro que tanto sonhei - a minha vida.

Vanessa Esteves

2 comentários:

  1. Amo os seus textos, parabens!! é difícil encontrarmos pessoas no mundo como você hoje em dia, continue assim que você vai longee! <3

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  2. MUITO obrigada! Tento sempre escrever o que passa dentro da minha cabeça (e olha que não é pouca coisa, rsrs). Obrigada mais uma vez. Beijos.

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