20/08/2014

A janela da alma


Incrível como um simples olhar pode dizer muita coisa. Não importa se os olhos forem verdes, castanhos, azuis, pretos, claros ou escuros, um olhar pode abrir portas para tudo. Como aquele frio na barriga que sentíamos no balanço quando éramos criança, dois olhares que se encontram causam a mesma sensação. Automaticamente as bochechas ficam rosadas e o coração acelera. Há quem diga que um olhar diz mais que mil palavras. E não há como negar.
Olhares no ônibus, enquanto observamos quem sai dele em direção a um lugar indefinido. Olhares na rua, quando não estamos encarando o chão e notamos o jeito de andar e falar de quem passa pelo nosso caminho. Olhares no cinema, enquanto esperamos o filme começas, no escuro com a tela iluminando nosso rosto e na saída com um sorriso no rosto. Olhares na livraria, sejam eles por querer memorizar cada título de livro nas mãos de outras pessoas ou por querer conhecer o vendedor culto. Olhares no colégio, já que desde criança temos aquela paquera que não faria sentido se não fosse investigada com o olhar mais profundo. Olhares na vida, porque vale muito mais ser observador do que nos cerca do que fechar os olhos e fingir que nada acontece.
Como se não bastasse, nossos olhos, ao descansarem à noite, viajam a um lugar onde tudo parece perfeito e é inesquecível. Nossos sonhos nos mostram, mesmo na mais imensa escuridão, quem nós gostaríamos de ser e o que realmente importa para nós. Quem nunca sonhou com uma viagem inesperada e um sorriso indecifrável enquanto o olhar viajava pelos mais diferentes lugares?
Os olhos são a janela da alma, como estamos cansados de saber. E isso pode até ser uma metáfora, mas enquanto não provarem o contrário, não tem como negar: os olhos são a parte de uma pessoa que mais nos mostra quem ela realmente é; mesmo sendo enigmática.

Vanessa Esteves

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