05/07/2014

O garoto de Curitiba


Poderia começar esse texto falando sobre como ele tinha um sorriso encantador, como os olhos dele brilhavam até mesmo naquela temperatura mais baixa, como o rosto dele era perfeito, ou como o olhar dele insistia em encontrar o meu. Poderia, mas como dizer tudo isso se eu nem lembro como ele é? Já faz mais de um ano e, sempre que eu vejo alguém de camisa xadrez, já penso logo naquele garoto que eu encontrei no ônibus enquanto estava passeando em Curitiba. 
Nenhuma palavra foi dita. Nenhuma sequer. Enquanto ele me olhava, eu tentava me fazer de difícil, me segurava para não olhar. Eu sabia que deveria dar uma conferida antes que ele saísse pela porta, para longe de mim.
Pessoas foram esvaziando aquele ônibus, e o espaço entre nós dois diminuindo cada vez mais. Eu poderia ter sentido seu cheiro, mas não consigo lembrar se era de banho tomado ou algum perfume francês. Para a minha tristeza, e talvez para os olhos dele, perdi toda sua atenção, pois ele se virou e saiu pela porta do ônibus deixando para trás um olhar que espero reencontrar qualquer dia desses.
Não me lembro de seu rosto, apenas de sua camisa xadrez vermelha. E espero que eu ainda a encontre numa dessas idas a Curitiba. Espero que ele esteja lá, no meio daquelas pessoas, me lançando aquele mesmo olhar.

Vanessa Esteves
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