06/08/2015

Presença em alma

(WeHeartIt)

Um homem idoso, com seus cabelos cor de neve, pele enrugada e sorriso no rosto, entrou no ônibus que me levava ao cursinho. Eu escutava minha música preferida, aquela que não sai do modo repetir do meu iPod. Olhei para ele e automaticamente me lembrei de meu avô.
O idoso demorou para se sentar, pois queria mostrar à cobradora do ônibus o seu cartão de comprovação de que ele tinha idade para não pagar a passagem. A mulher disse que ele poderia se sentar e mostrar depois, mas ele foi insistente. Enquanto ele procurava em sua carteira, eu segurava minhas lágrimas e desviava o olhar dele para não me lembrar do meu avô. Seus jeitos, suas manias e até seu sorriso eram muito parecidos com os daquele que um dia me cobria ao mesmo tempo em que eu dormia no sofá. Paralelamente, o idoso não sossegou até encontrar o bendito cartão.
A partir daquele momento, meus pensamentos começaram a surgir. Era uma manhã de sol e as ruas estavam calmas, apesar de ser dia de semana. Eu segurei o choro e olhei para o mar. Eu queria navegar para longe, mas também procurava um abraço para me aconchegar. Queria escutar palavras de carinho e também ter a companhia do meu avô de volta.
É normal – nós perdemos as pessoas. Ou talvez perder seja uma palavra muito forte. Porque elas continuam aqui, em nossos corações, pensamentos e sonhos noturnos. Apesar de não estarem mais aqui, ainda estão. Presentes não em corpo, mas em alma. Pelo motivo de precisarmos sentir a presença de alguém, é que guardamos objetos, cartas e até fotos que fazem nos lembrar daqueles que já se foram. Por menor que seja essa lembrança física, o tamanho do amor é imensurável.
Vanessa Esteves


[Escrito às 22:54 do dia 06 de agosto de 2015.]
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