01/03/2015

Metamorfose ambulante

(WeHeartIt)

Eu continuo sofrendo, pois carrego comigo um orgulho sem fim. Tenho esse medo de arriscar, medo de dizer o quanto sinto falta de alguém, medo de dizer que não estou bem e medo de mostrar o quanto sou insegura. De todas as pessoas que olham sempre o “visto por último” no WhatsApp, acho que me encaixo na categoria de pessoas que sempre dão uma olhada a cada hora. Aliás, alguém mais se sente estranho quando há o “online” escrito perto do nome da pessoa que não fala com você há dias, ou só eu sou assim?
Sabe, uma vez ingeri certa quantidade de álcool que me fez falar pelos cotovelos. Naturalmente eu já falo bastante, mas somente com quem eu conheço e com quem eu confio. Só que na situação em que eu estava eu desabafei tanto com uma pessoa que, para mim, naquele momento, era uma estranha, que eu nem senti o tempo passar e chorei como não fazia há meses. Senti todas aquelas angústias sumirem, todos aqueles medos irem embora e meu coração se fortalecendo com esse meu deslize que só me fez bem. Após alguns dias, essa pessoa sabia mais sobre mim do que meus próprios amigos. E mesmo assim não desistiu de saber mais sobre meus defeitos. Acho que é isso que acontece em festas: nós conhecemos pessoas diferentes daquelas que sempre nos rodeiam e acabamos, por impulso, contando coisas que nem nossos amigos mais próximos sabem. E talvez isso seja bom. Porque como a pessoa é de fora, ela enxerga tudo de um jeito diferente. E não seria surpresa nenhuma se eu dissesse que essa pessoa mudou meu jeito de encarar algumas coisas, não é?
Mesmo que a gente tenha parado de conversar com tanta frequência, eu sei que algo foi acrescentado na minha vida durante esses dias. Para falar a verdade, qualquer pessoa que entra na minha vida muda um pouco de tudo. E eu não sei, mas talvez eu precisasse daquela festa, de toda aquela conversa e de todo aquele choro para perceber o que estava ali, bem na frente do meu nariz. Só que agora, deitada na minha cama e querendo que o sono vá embora para eu estudar, eu ainda não consigo entender o que realmente quero descobrir. A vida é tão incerta, e por que eu não posso simplesmente errar de vez em quando? Deixem-me ser essa garota que quer encontrar o amor, que quer ser feliz viajando pelo mundo, que quer escrever sobre o que sente, que quer desabafar com desconhecidos e que quer ser ela mesma. Não é minha idade que vai definir meu amadurecimento, mas aquilo tudo que aprendi ao longo dos anos.
Por isso, me deixem ser quem eu quiser. Se eu não posso agradar a todos, me desculpem, mas essa sou eu. Que fala demais, que escreve demais, que ama demais, que chora demais, que espera demais, que sente demais. Sou assim, uma garota que é demasiadamente complicada, mas que não mudaria nenhum desses exageros. E mesmo que eu espante quem eu amo de perto de mim, eu sou assim, e acredito que ninguém vive sozinho nesse mundo, independente dos problemas que possui. Aliás, prefiro ser essa metamorfose ambulante. Não é dessa música que quase todo mundo gosta? Talvez a minha hora um dia chegue.

Vanessa Esteves


[Escrito às 14:31 do dia 28 de fevereiro de 2015.]

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