04/03/2015

A arte da palavra

(WeHeartIt)

Não escrevo textos depressivos. Se escrever sobre amor, desencontros, amizade, decepções, felicidade, falta de reciprocidade, paixão e tantas outras coisas que nos rodeiam é depressivo, então não seria a vida um amontoado de sentimentos que ora dão certo ora não?
Acho engraçado – para não dizer outra coisa – que quando homens escrevem sobre o amor todos acham bonito, acham legal, aplaudem de pé. A partir do momento em que uma mulher escreve sobre esse sentimento, pessoas já param de ler o texto na metade, pois acham que a mulher está em depressão para escrever algo como aquilo. Sabe, depressão é algo sério, mas que nós tratamos como brincadeira. Não, esse texto não é sobre depressão, e muito menos sobre como alguém pode sair dessa situação. É somente um texto cheio de perguntas nas entrelinhas para aqueles que não entendem o quanto despejamos nossas dores, sofrimentos, felicidades e sorrisos em forma de palavras.
Do mesmo jeito que músicos transmitem o que sentem através da música, pintores através de obras e cinegrafistas através de filmes, escritores transmitem seus sentimentos através da palavra. Às vezes, é tudo tão confuso que não há conexão entre as ideias, o texto fica bagunçado, não há um tema certo e ainda terminamos com outra pergunta, ou várias. Escritor é aquela pessoa que consegue, apesar da bagunça, entender o que se passa dentro do seu coração. Digo isso para aqueles que escrevem com a alma, que não se importam se o texto vai fazer sucesso ou não.
Por isso, escrevemos para nos conhecer melhor, entender o que se passa na nossa mente e encontrar respostas para nossas infinitas perguntas. Assim, não importa se o texto é depressivo ou não, pois ao final de um texto tiraremos um peso enorme de nossas costas apenas por ter conseguido traduzir tudo em palavras. Pode ser que ele não fique do jeito que queríamos, mas no nosso ímpeto saberemos que foi com ele e com tantos outros textos que conseguimos descobrir quem somos. Aliás, não há forma melhor de conseguir descobrir quem somos. Afinal, não há forma melhor de conhecer a si mesmo. Palavras traduzem tudo o que não conseguimos dizer em voz alta. Palavras, ainda que em pequenas ou grandes quantidades, trazem um conforto ao nosso peito. Porque palavras, caro leitor, são uma arte. E nós, escritores, somos perdidamente apaixonados por elas.

Vanessa Esteves

[Escrito às 12:38 do dia 03 de janeiro de 2015.]
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