22/12/2014

A felicidade está aqui


Não sabia mais para onde olhar. Sentia-me sozinha, ainda que pensando em tanta coisa diferente ao mesmo tempo. Levantei. Sendo puxada por alguém, mas mesmo assim tendo força suficiente para me manter equilibrada. "Eu conheço esses cabelos", pensei enquanto sentia minha mão escorrer da mão daquela que me puxava.
Estava sendo levada a um lugar com muitas flores, mas não sabia onde ficava exatamente. Sentia um frio na barriga, tanto por não ter visto o rosto de quem me guiava quanto por não saber onde estava. Meu quarto já não exista mais em lugar algum, meus pensamentos haviam ido embora e agora eu me sentia cada vez menor.
Só que de repente tudo pareceu tão familiar, todos aqueles quadros, fotos, móveis, pessoas. E então eu avistei um espelho com uma moldura antiga a alguns passos de mim. Eu não queria me olhar no espelho, pois fazia dias que não o fazia. Só que meus pés não pararam de se mover, meu corpo não parou de ser puxado e meus olhos não conseguiram se manter fechados.
Então eu me vi. Com todos os meus defeitos estampados, meu sorriso fechado, meus olhos cansados e meu corpo amedrontado. E aquela mão que me puxava pertencia a mim, que tive tanto medo nos últimos dias de me encarar por míseros segundos na frente do espelho. Naquele momento, tudo pareceu tão real. Todas aquelas linhas de expressão e a roupa amassada.
O meu eu que me puxava sorriu para mim e com isso todos os meus medos se dissolveram quase que automaticamente. Enfim eu corri por entre as flores, sentindo o pólen grudar na minha pele e querendo sentir aquilo para sempre. Se eu pudesse, teria buscado essa minha felicidade muito antes de saber que a única pessoa que me fará feliz é eu mesma.

Vanessa esteves

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